O Cavalo de Troia da Nação
$ 75
Author:
Vitor Claret Batalhone Júnior
Pages:235
Published:
2026-08-02
ISBN:978-99993-5-026-6
Category:
New Release
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Arnaldo Momigliano nos informou que os gregos antigos experimentaram espécie de temporalidade circular. No século XVIII, a proposição de Kant, de que a experiência temporal deveria ser qualitativamente progressiva em função da razão, encontrou em Koselleck o Período Sela (Sattelzeit) que conduziu do Antigo Regime europeu às sociedades liberais. Como efeito histórico, o Brasil se tornou Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves, única entre todas as metrópoles a existir em solo colonial. Independente, o Império do Brasil arrastou consigo as estruturas coloniais adentro da futura República. Quebra-cabeças de Estados distintos, era necessário tornar coesa a relação entre o Estado do Grão-Pará e Maranhão, as capitanias hereditárias do Nordeste e o centro do poder em São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, onde a contemporaneidade europeia atualizava a virtualidade de um Brasil construído sobre ouro, diamante, café e o mercado de escravos. Os alicerces da construção foram edificados por Varnhagen, cuja História Geral do Brasil, estabeleceu a representação do Estado imperial e sua institucionalidade. À iminência da República, ainda faltava alma ao Brasil, a nacionalidade institucional habitando o território não encontrava correlato na cultura e etnia cotidianos. Sertões adentro e grandes cidades afora, Capistrano de Abreu viu na historiografia científica e metodologicamente regulada, a possibilidade de justificar um projeto de Estado-Nacional contemporâneo, que tanto pertenceria ao povo quanto abrigava a estes. Registrado no hino nacional brasileiro, o solo que é mãe gentil ainda era majoritariamente um pater a ser amado. Assim, justificado por método e teorias sociológicas, e fundamentado em documentos verdadeiros validados pela crítica documental que ainda se consolidava no Brasil, Capistrano construiu seu Cavalo de Troia da Nação, subsumindo sob a pressuposta verdade de suas interpretações historiográficas, seus projetos de Estado-Nacional, fundamentado na cultura e na etnia popular historicamente condicionadas. Artifício astucioso de prestidigitador, assim como Odisseu e seu cavalo, Capistrano inseriu no Brasil, por sob a ciência histórica, o ser nacional.